Palavra aos ministros:
A família de Eli, Samuel e os propósitos de Deus para este tempo.
Temos visto, nos últimos anos, uma séria preocupação das igrejas em toda parte com as crianças. Grosso modo, Deus tem trazido uma visão para além dos nossos dias a alguns ministros que têm se dedicado com integridade, temor e tremor ao serviço com crianças.
Mas, de fato, o que Deus está fazendo? Essa é uma pergunta que temos que perseguir todos os dias de nossa vida. Mas tão importante quanto saber o que Deus está fazendo é sabermos se estamos nos movendo com Deus. O chamado de Samuel é bem sugestivo a fim de meditarmos e tentarmos compreender acerca do que está acontecendo em nossos dias.
Samuel era apenas um menino quando começou a ministrar na casa do Senhor: “Samuel, contudo, ainda menino, ministrava perante o Senhor...”. (I Sm 2:18 NVI). No capítulo3 verso 1 lemos que o menino Samuel ministrava no templo sob direção do sacerdote Eli. Eli era bem idoso e seus olhos estavam ficando tão fracos que já não conseguia enxergar. Seus filhos Hofni e Finéias estavam comprometidos de mais com seus atos pecaminosos para lembrar das coisas do Senhor. A situação era caótica: Um sacerdote velho e incapaz de “Ver” cujos filhos, também encarregados do serviço sacerdotal, eram ímpios e não se importavam com o Senhor. O fato é que a bíblia diz que: “...naqueles dias raramente o Senhor falava e as visões não eram freqüentes” (I Sm 3:1).
É neste contexto que Deus chama Samuel para comunicar-lhe algo que Ele se dispôs a realizar: “E o senhor disse a Samuel: ‘vou realizar em Israel algo que fará tinir os ouvidos de todos os que ficarem sabendo” ( I Sm 3:11).
Nós vivemos num contexto semelhante ao do tempo do sacerdote Eli. Assim como os pecados cometidos pelos sacerdotes Hofni e Finéias, são cada vez mais freqüentes no cenário cristão dos nossos dias os casos de escândalos envolvendo os ministros na casa de Deus. Por outro lado, alguns ministros íntegros e sérios estão tão velhos que são incapazes de ouvir (ou dar ouvido) ao Senhor. No caso de Levi, um dos problemas mais sérios era que ele estava apegado demais com seus costumes para ouvir o novo da parte do Senhor. “Certa noite, Eli cujos olhos estavam tão fracos que já não conseguia mais enxergar, estava deitado no seu lugar de costume” (I Sm 3:2). O sacerdote Eli estava passando por um momento crítico, tal vez o mais crítico de sua vida, era uma ocasião que Deus raramente falava, seus olhos estavam tão fracos que já não podia enxergar, seus filhos não demonstravam nenhum temor pelo Senhor e tudo que ele fazia era “ficar deitado no seu lugar de costume”. Quantos de nós, ministros, em situações de crises, tudo que fazemos é ficarmos deitados no nosso lugar de costume? Temos vistos vez após vez uma série de ministros se debatendo em seus costumes e tradições na tentativa de manter o status quo, ou quando muito voltarem a uma situação de bem-estar passado, quando tudo que Deus quer é dar-lhes uma nova visão ou lhes mostrar coisas futuras: “... falará apenas o que ouvir, e lhes anunciará o que está por vir” (Jo 16:13), o Espírito anseia em nos falar sobre coisas que estão por vir. O novo do Senhor pode vir com significativas mudanças no que já está estabelecido, sobretudo porque para que algo novo seja estabelecido é preciso que as coisas velhas sejam removidas. Não obstante, alguns ministros amam tanto a visão que Deus os deu no passado que não estão dispostos a amar a Deus o suficientemente para receber algo novo sem abandonar os velhos modelos. E aí é necessário que seja levantada uma geração a semelhança de Samuel.
Samuel, sem dúvida, representava um novo tempo para Israel. O povo estava ciente dos abusos, dos erros e dos pecados cometidos pelos filhos de Levi e, com certeza, do “silêncio”de Deus: “Onde não há revelação divina, o povo se desvia...”(Pr 29:18). O Advento de Samuel trazia consigo a expectativa de que o Senhor falaria e instruiria o seu povo: “Enquanto Samuel crescia, o Senhor estava com ele, e fazia que todas as suas palavras se cumprissem. Todo o Israel, desde Dã até Berseba, reconhecia que Samuel estava confirmado como profeta do Senhor” (I Sm 3:20-21).
Por que Deus escolheu Samuel? Por que Deus usaria uma criança? É bem provável que neste quadro, o único que traria menos resistência aos propósitos de Deus seria Samuel, que era apenas um menino. Samuel Ainda não tinha abstraído uma série de regras e costumes que Levi tinha internalizado e se prendido a elas, nem estava contaminado com seus próprios interesses tal como Hofni e Finéias, sobretudo, como criança, tinha um coração moldável, pronto para aprender; não confiava nos seus próprios conhecimentos. Ou seja, Samuel estava livre das estruturas mentais que aprisionavam Levi e tinha um coração puro que não se deleitava no pecado como Hofni e Finéias.
Deus neste tempo vai levantar uma geração a semelhança de Samuel. Uma geração que ouve a sua voz e tenha um coração ensinável. Uma geração que o conhecerá I Sm 3:7. Assim como o senhor confirmava a palavra de Samuel também confirmará as palavras dessa nova geração: “... o Senhor cooperava com eles, confirmando-lhes a palavra com os sinais que a acompanhavam” (Mc 16:20).
Se quisermos fazer parte dos propósitos de Deus para este tempo e para o tempo vindouro não podemos ser como os da casa de Levi, mas como Samuel. Temos que ser como crianças para entrarmos e manifestarmos o Reino de Deus: “Deixem vir a mim as crianças, não as impeçam, pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas”. (Mc 10:14)
Que o Senhor nos dê um coração simples e sincero como de uma criança e que sejamos ensináveis e dispostos a obedecer. Amém!
Por EDSON CISO
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