quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Palavra aos ministros

Intercessão o ministério eficaz

A intercessão é requisito básico em qualquer ministério eficaz. Ser um intercessor é uma experiência perene na vida de todo ministro verdadeiro. No geral, confunde-se oração com intercessão. Oração é pré-requisito na vida de qualquer cristão, ou pelo menos deveria ser. Uma disciplina em oração é indispensável para uma vida espiritual saudável, como vimos em artigo anterior.

Não obstante, qual o lugar, ou o que é intercessão? O lugar da intercessão é o lugar da intervenção conciliadora. Em outras palavras, de estar onde ninguém mais está, ou, pelo menos infelizmente, poucas pessoas estão, em prol de alguém ou “alguma coisa”. "Procurei entre eles um homem que erguesse o muro e se pusesse na brecha diante de mim e em favor da terra, para que eu não a destruísse, mas não encontrei nem um só”- (Ez. 22.30). O intercessor é aquele que se coloca no lugar de ruptura ou falta e constrói uma parede. Ou seja, alguém com uma visão ampliada, que reconhece uma necessidade e se coloca em ação.

Um ministro é, quase invariavelmente, um intercessor. Só você que ministra reconhece, de fato, as reais necessidades de seu ministério e, assim sendo, pode se colocar no lugar da rachadura. Tal vez, não será equivocado dizer que cada ministro é, em suma, um intercessor, pois este foi justamente levantado pelo Senhor para servir, e servindo estará suprindo uma necessidade. Assim, o intercessor não é só alguém que ora, mas é alguém que ora e age; ministra. E agindo supre uma necessidade específica, para glória de Deus, para o bem de outrem e, também, de si mesmo.

Por Edson Ciso.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Seu nome é hoje.


Cometemos muitos erros e muitas faltas, mas nosso maior
Crime é abandonar as crianças, negligenciar a fonte de vida.
Muitas coisas que necessitamos podem esperar.
A criança não.
Este é o tempo em que seus ossos estão se formando, seu
Sangue está sento feito e seus sentidos estão se desenvolvendo.
Para ela não podemos responder “AMANHÔ.
Seu nome é HOJE!


De: Gabriela Mistral.

domingo, 26 de setembro de 2010

Palavra aos ministros:
A família de Eli, Samuel e os propósitos de Deus para este tempo.




Temos visto, nos últimos anos, uma séria preocupação das igrejas em toda parte com as crianças. Grosso modo, Deus tem trazido uma visão para além dos nossos dias a alguns ministros que têm se dedicado com integridade, temor e tremor ao serviço com crianças.
Mas, de fato, o que Deus está fazendo? Essa é uma pergunta que temos que perseguir todos os dias de nossa vida. Mas tão importante quanto saber o que Deus está fazendo é sabermos se estamos nos movendo com Deus. O chamado de Samuel é bem sugestivo a fim de meditarmos e tentarmos compreender acerca do que está acontecendo em nossos dias.
Samuel era apenas um menino quando começou a ministrar na casa do Senhor: “Samuel, contudo, ainda menino, ministrava perante o Senhor...”. (I Sm 2:18 NVI). No capítulo3 verso 1 lemos que o menino Samuel ministrava no templo sob direção do sacerdote Eli. Eli era bem idoso e seus olhos estavam ficando tão fracos que já não conseguia enxergar. Seus filhos Hofni e Finéias estavam comprometidos de mais com seus atos pecaminosos para lembrar das coisas do Senhor. A situação era caótica: Um sacerdote velho e incapaz de “Ver” cujos filhos, também encarregados do serviço sacerdotal, eram ímpios e não se importavam com o Senhor. O fato é que a bíblia diz que: “...naqueles dias raramente o Senhor falava e as visões não eram freqüentes” (I Sm 3:1).
É neste contexto que Deus chama Samuel para comunicar-lhe algo que Ele se dispôs a realizar: “E o senhor disse a Samuel: ‘vou realizar em Israel algo que fará tinir os ouvidos de todos os que ficarem sabendo” ( I Sm 3:11).
Nós vivemos num contexto semelhante ao do tempo do sacerdote Eli. Assim como os pecados cometidos pelos sacerdotes Hofni e Finéias, são cada vez mais freqüentes no cenário cristão dos nossos dias os casos de escândalos envolvendo os ministros na casa de Deus. Por outro lado, alguns ministros íntegros e sérios estão tão velhos que são incapazes de ouvir (ou dar ouvido) ao Senhor. No caso de Levi, um dos problemas mais sérios era que ele estava apegado demais com seus costumes para ouvir o novo da parte do Senhor. “Certa noite, Eli cujos olhos estavam tão fracos que já não conseguia mais enxergar, estava deitado no seu lugar de costume” (I Sm 3:2). O sacerdote Eli estava passando por um momento crítico, tal vez o mais crítico de sua vida, era uma ocasião que Deus raramente falava, seus olhos estavam tão fracos que já não podia enxergar, seus filhos não demonstravam nenhum temor pelo Senhor e tudo que ele fazia era “ficar deitado no seu lugar de costume”. Quantos de nós, ministros, em situações de crises, tudo que fazemos é ficarmos deitados no nosso lugar de costume? Temos vistos vez após vez uma série de ministros se debatendo em seus costumes e tradições na tentativa de manter o status quo, ou quando muito voltarem a uma situação de bem-estar passado, quando tudo que Deus quer é dar-lhes uma nova visão ou lhes mostrar coisas futuras: “... falará apenas o que ouvir, e lhes anunciará o que está por vir” (Jo 16:13), o Espírito anseia em nos falar sobre coisas que estão por vir. O novo do Senhor pode vir com significativas mudanças no que já está estabelecido, sobretudo porque para que algo novo seja estabelecido é preciso que as coisas velhas sejam removidas. Não obstante, alguns ministros amam tanto a visão que Deus os deu no passado que não estão dispostos a amar a Deus o suficientemente para receber algo novo sem abandonar os velhos modelos. E aí é necessário que seja levantada uma geração a semelhança de Samuel.
Samuel, sem dúvida, representava um novo tempo para Israel. O povo estava ciente dos abusos, dos erros e dos pecados cometidos pelos filhos de Levi e, com certeza, do “silêncio”de Deus: “Onde não há revelação divina, o povo se desvia...”(Pr 29:18). O Advento de Samuel trazia consigo a expectativa de que o Senhor falaria e instruiria o seu povo: “Enquanto Samuel crescia, o Senhor estava com ele, e fazia que todas as suas palavras se cumprissem. Todo o Israel, desde Dã até Berseba, reconhecia que Samuel estava confirmado como profeta do Senhor” (I Sm 3:20-21).
Por que Deus escolheu Samuel? Por que Deus usaria uma criança? É bem provável que neste quadro, o único que traria menos resistência aos propósitos de Deus seria Samuel, que era apenas um menino. Samuel Ainda não tinha abstraído uma série de regras e costumes que Levi tinha internalizado e se prendido a elas, nem estava contaminado com seus próprios interesses tal como Hofni e Finéias, sobretudo, como criança, tinha um coração moldável, pronto para aprender; não confiava nos seus próprios conhecimentos. Ou seja, Samuel estava livre das estruturas mentais que aprisionavam Levi e tinha um coração puro que não se deleitava no pecado como Hofni e Finéias.
Deus neste tempo vai levantar uma geração a semelhança de Samuel. Uma geração que ouve a sua voz e tenha um coração ensinável. Uma geração que o conhecerá I Sm 3:7. Assim como o senhor confirmava a palavra de Samuel também confirmará as palavras dessa nova geração: “... o Senhor cooperava com eles, confirmando-lhes a palavra com os sinais que a acompanhavam” (Mc 16:20).
Se quisermos fazer parte dos propósitos de Deus para este tempo e para o tempo vindouro não podemos ser como os da casa de Levi, mas como Samuel. Temos que ser como crianças para entrarmos e manifestarmos o Reino de Deus: “Deixem vir a mim as crianças, não as impeçam, pois o Reino de Deus pertence aos que são semelhantes a elas”. (Mc 10:14)
Que o Senhor nos dê um coração simples e sincero como de uma criança e que sejamos ensináveis e dispostos a obedecer. Amém!

Por EDSON CISO

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Palavra aos ministros
“Tu porém pregue a palavra...”



O conselho de Paulo apóstolo ao jovem ministro Timóteo, sem dúvida, é válido para todos nós ministros hoje. Paulo o instruiu: “Pregue a palavra a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, e exorte com toda a paciência e doutrina”. (I Tm 4,2). Ao jovem Tito ele instruiu: “Você, porém fale o que está de acordo com a sã doutrina” (Tt. 2.1).
É essencial que como ministros que preguemos a palavra de acordo com as sãs doutrinas. Como declara as escrituras somos cooperadores de Deus, por isso, precisamos atentar para como estamos edificando o seu edifício. “Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus”. (I Cr. 3.9). Não obstante, poucos ministros são verdadeiramente eficazes em sua doutrina, poucos os que investem tempo de qualidade no estudo da palavra e em oração. (neste ponto sugiro a leitura do artigo anterior sobre devoção). Cristo é o firme fundamento e nenhuma criança é tão nova que não possa receber um ensinamento adequado a respeito dEle. Por isso é necessário que o ministro conheça bem as sãs doutrinas e maneje bem a palavra da verdade.
Em uma sociedade onde as informações são trocadas com uma rapidez tão alucinante e com tamanha facilidade, certamente as pessoas que ministramos, mais cedo ou mais tarde, se depararão com ensinos que serão bastante nocivos a sua fé. “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios”. (I Tm 4.1). Será de grande valia para nossas crianças estarem sendo ensinadas e edificadas de acordo com as sãs doutrinas.
Como já, há muito, instruiu o sábio: “Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele”. (Pr 22.6).

Por EDSON CISO

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Palavra aos ministros
A “criança-problema” e o problema da criança


Em meio as muitas crianças que ministrarmos certamente nos depararemos com uma variedade de comportamentos diferenciados. Creio que a pluralidade seja algo bom e necessário. Mas, fatalmente, neste contexto, depararemos com uma “criança-problema”.
Não estaremos sendo demasiadamente duros se em meio as crianças que estivermos ministrando identificarmos algumas com “problemas”. Ma o que fazer?
Penso que uma das coisas importantes a serem feitas é mudarmos o nosso foco de visão em alguns aspectos, se o problema for comportamental. Os discípulos de Jesus se depararam com um grupo de crianças, que tal vez, para eles, fossem “crianças-problema” ou causadoras de problemas. Jesus, por sua vez, não focou as crianças como sendo um problema, mas sim a situação gerada pelos discípulos, como tal. (ver. Mt. 19. 13-15 )
Uma das lições que podemos tirar do fato narrado pelo evangelho segundo Mateus é que geralmente o problema. Em alguns casos, não está na criança em si. A questão é que como constatou Lahire em seus estudos, a personalidade da criança, seus comportamentos, ações e reações são incompreensíveis fora das relações sociais que a configuram. Isso não quer dizer que ela reproduza, necessariamente, de maneira direta as vivências de sua família, mas que é a conjuntura familiar que vai dar o pano de fundo a seus comportamentos e relações sociais.
“De fato a criança constitui seus esquemas comportamentais, cognitivos e de avaliação através das formas que assumem as relações de interdependência com as pessoas que a cercam com mais freqüência e por mais tempo, ou seja, os membros de sua família” (Lahire, 1997; p. 17).
O problema da criança é que, com freqüência, tendemos a tratá-la insularmente quando, na verdade, ela é “produto” das relações sociais que a cercam. É bem possível que ministremos crianças das mais diversas, apesar disso, não será possível compreendê-las sem apreender minimamente suas relações sociais primárias. “Na verdade, o mais íntimo, o mais particular ou singular dos traços de uma pessoa só pode ser entendido se reconstituirmos o ‘tecido de imbricações sociais com os outros’”. (idem)
É neste contexto de relações intersubjetivas que poderemos compreender a criança em sua complexidade e, como discípulos, deixar de sermos o “problema” da criança. Assim, poderemos ajudá-las a encontrar outras possibilidades de vivências para além daquele aprendidos em sua socialização primária. Como ministros podemos apresentar novas alternativas às crianças, principalmente no que toca conduzi-las a Jesus. Pois o maior problema da criança é ter o acesso a Jesus impedido.


Por Edson Ciso