Palavra aos ministros
Fé e amor
Um dos versos que mais me chamam
atenção, e talvez você entenda porque, na carta de Paulo apóstolo aos efésios
é: “Por esta razão, desde que ouvi falar
da fé que vocês têm no Senhor Jesus e no amor que demonstram para com todos os
santos, não deixo de dar graças por vocês, mencionando-os em minhas orações”
(Ef 1.15-16). Paulo, afirma dar graças por ouvir falar destas coisas acerca
dos cristãos de Éfeso. Não sem motivos, me impressiona.
Nos versos que precedem esta
afirmação, ele discorre sobre como os irmãos de Éfeso, e também, por princípio,
todos os santos de todos os lugares, foram sobremaneira abençoados e eleitos com
um santo chamado por Deus por meio do Senhor Jesus Cristo. Quando ele afirma que
não deixava de dar graças mencionando-os em suas orações, por ouvir falar da fé
em Jesus e do amor pelos santos que estes irmãos demonstravam, parece sugerir
que o corolário natural desta santa eleição, quando evidenciada, é a fé e o
amor observáveis na vida dos assim afortunados.
Isto parece
tornar-se mais evidente quando consideramos que o fundamento de nossa esperança
é a fé em Jesus: “Deus tanto amou o mundo que deu seu Filho
Unigênito, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida
eterna” (Jo 3.16). Consequentemente, a fé em Jesus Cristo gera em nós uma
vida radicalmente transformada. De fato, uma nova vida nEle (Jo 3,5), pois o
fim de nosso chamado é sermos iguais a Ele mesmo: “Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem
a imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”
(Rm 8.29). Tornando-nos como ele é, glorificaremos a Deus o Pai plenamente,
pois também Cristo foi o único que plenamente glorificou a Deus: “...este é meu filho amado, de quem me
agrado” (Mt 3.17).
Esta nova vida, fruto da fé em
Jesus, nos leva viver em amor. João apóstolo afirmou categoricamente: “Amados, amemos uns aos outros, pois o amor
procede de Deus. Aquele que ama é NASCIDO de Deus e conhece a Deus. Quem não
ama não conhece a Deus, pois Deus é amor”” (1Jo 4.7-8, grifo meu). Por
certo, como o parâmetro é o amor de Jesus, o amor aqui é tão sacrificial que a
si mesmo dá em beneficio do outro, inda que o outro não mereça ou até mesmo
reconheça as ações amorosas que o afetam: “Nisto
consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou
e enviou seu filho em propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 4.10)
É mister que tenhamos em mente
que amor é antes de tudo uma prerrogativa apenas da pessoa que ama, e, porque
ama, se entrega ao outro em amor, mesmo que o mesmo não faça jus a todo bem que
lhe afeta. O nosso desafio como filhos de Deus é tremendo, pois nossa
disposição de amar em nada tem a ver com o outro, mas com a nossa própria
condição de filhos de Deus e termos sido de antemão amados por Ele. Assim, João
nos insta: “Amados, visto que Deus assim
nos amou, nós também devemos amar uns aos outros” (1Jo 4.11).
No que diz respeito a nós que
somos filhos de Deus, a única recompensa que podemos ansiosamente esperar por
conseguir viver de tal maneira é a glória de Deus e a glória de estarmos nos
tornando a imagem de Cristo. Esse amor é imprescindível à experiência cristã e
só é possível de ser alcançada por meio da fé em Cristo Jesus. Por esta razão,
também eu, me ponho de Joelhos e dou graças a Deus em minhas orações, quando me
deparo com expressões de amor que o fim é Cristo e sua glória. E também oro
para que possamos mais e mais “conhecer o
amor de Cristo que excede todo conhecimento para que sejamos cheios de toda a plenitude de Deus” (Ef 3.19, paráfrase).
Que Deus nos ajude!