sábado, 15 de março de 2014

Fé e amor

Palavra aos ministros
Fé e amor

Um dos versos que mais me chamam atenção, e talvez você entenda porque, na carta de Paulo apóstolo aos efésios é: “Por esta razão, desde que ouvi falar da fé que vocês têm no Senhor Jesus e no amor que demonstram para com todos os santos, não deixo de dar graças por vocês, mencionando-os em minhas orações” (Ef 1.15-16). Paulo, afirma dar graças por ouvir falar destas coisas acerca dos cristãos de Éfeso. Não sem motivos, me impressiona.
Nos versos que precedem esta afirmação, ele discorre sobre como os irmãos de Éfeso, e também, por princípio, todos os santos de todos os lugares, foram sobremaneira abençoados e eleitos com um santo chamado por Deus por meio do Senhor Jesus Cristo. Quando ele afirma que não deixava de dar graças mencionando-os em suas orações, por ouvir falar da fé em Jesus e do amor pelos santos que estes irmãos demonstravam, parece sugerir que o corolário natural desta santa eleição, quando evidenciada, é a fé e o amor observáveis na vida dos assim afortunados.
Isto parece tornar-se mais evidente quando consideramos que o fundamento de nossa esperança é a fé em Jesus:  “Deus tanto amou o mundo que deu seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Consequentemente, a fé em Jesus Cristo gera em nós uma vida radicalmente transformada. De fato, uma nova vida nEle (Jo 3,5), pois o fim de nosso chamado é sermos iguais a Ele mesmo: “Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem a imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8.29). Tornando-nos como ele é, glorificaremos a Deus o Pai plenamente, pois também Cristo foi o único que plenamente glorificou a Deus: “...este é meu filho amado, de quem me agrado” (Mt 3.17).
Esta nova vida, fruto da fé em Jesus, nos leva viver em amor. João apóstolo afirmou categoricamente: “Amados, amemos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama é NASCIDO de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor”” (1Jo 4.7-8, grifo meu). Por certo, como o parâmetro é o amor de Jesus, o amor aqui é tão sacrificial que a si mesmo dá em beneficio do outro, inda que o outro não mereça ou até mesmo reconheça as ações amorosas que o afetam: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu filho em propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 4.10)
É mister que tenhamos em mente que amor é antes de tudo uma prerrogativa apenas da pessoa que ama, e, porque ama, se entrega ao outro em amor, mesmo que o mesmo não faça jus a todo bem que lhe afeta. O nosso desafio como filhos de Deus é tremendo, pois nossa disposição de amar em nada tem a ver com o outro, mas com a nossa própria condição de filhos de Deus e termos sido de antemão amados por Ele. Assim, João nos insta: “Amados, visto que Deus assim nos amou, nós também devemos amar uns aos outros” (1Jo 4.11).
No que diz respeito a nós que somos filhos de Deus, a única recompensa que podemos ansiosamente esperar por conseguir viver de tal maneira é a glória de Deus e a glória de estarmos nos tornando a imagem de Cristo. Esse amor é imprescindível à experiência cristã e só é possível de ser alcançada por meio da fé em Cristo Jesus. Por esta razão, também eu, me ponho de Joelhos e dou graças a Deus em minhas orações, quando me deparo com expressões de amor que o fim é Cristo e sua glória. E também oro para que possamos mais e mais “conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento para que sejamos cheios de toda  a plenitude de Deus” (Ef 3.19, paráfrase). Que Deus nos ajude!

Por Edson Ciso

Esperança do evangelho para uma geração sem pais

 Palavra aos ministros
Esperança do evangelho para uma geração sem pais

Quando nos reportamos à história e olhamos atenciosamente para as diferentes gerações, percebemos que a cada geração a sociedade vem degringolando em diferentes aspectos da vida e da piedade. Nossa geração tem levado isso às últimas consequências, e, muito do que se vê, é fruto de uma geração sem pais.
Pode-se afirmar que somos uma geração sem pais porque embora naturalmente todos para nascer precisássemos de pais, na prática, muitos ao longo da vida vivem como se pais não tivessem. Alguns são literalmente abandonados ou de alguma maneira separados de seus progenitores, para outros, porém, apesar de viverem com seus pais, a paternidade não se realizou satisfatoriamente; muitos filhos poderiam ser considerados afetivamente órfãos. As razões que estão na base deste fenômeno são variadíssimas e requereria uma pesquisa sociológica.
Uma geração sem pais é uma geração sem passado. Os pais são os primeiros responsáveis por deixar antes de tudo uma herança histórica para as crianças. São os primeiros a sinalizar para as mesmas que elas não são o centro do universo e que o mundo não foi feito a partir delas e nem para elas. Assim, quando essa relação pai-filho é perturbada uma das consequências é a perda do legado histórico-social, embora em si isso já seja um legado, que os pais são os primeiros a inculcar em seus filhos, bem como uma perda referencial para sua participação no mundo.
Não obstante, uma geração sem passado é também uma geração sem futuro. Evidentemente que o indivíduo que não sabe de onde vem, também não sabe para onde vai. Quem vem de lugar nenhum se contenta com qualquer lugar onde se possa chegar, para estes qualquer lugar é lugar. Grosso modo, nós somos produtos de nossas raízes históricas. Elas não necessariamente determinarão nosso futuro, mas influenciarão significativamente a nossa trajetória e a nossa percepção da vida na vida.
A questão da paternidade está no âmago de muito dos conflitos que nossa geração vivencia porque, diferente de outras gerações, a influência dos pais na vida dos seus filhos tem sido cada vez menor em nosso tempo. O mandamento bíblico de honrar pai e mãe tem perdido cada vez mais seu sentido prático. Destarte, é extremamente dificultoso fazer os mais jovens entender o que isso significa e traduzir esta lógica para eles. Ver-se uma geração que vem cada vez menos aprendendo com a experiência do outro, com pouco interesse histórico, que não aprendeu a ouvir, que erra para acertar ao invés de acertar para não errar. Sobretudo, ver-se uma geração que desaprendeu a conviver e muito tudo disso tem sua gênese no relacionamento familiar.
A beleza do evangelho é que ele tem uma resposta para cada anseio e necessidade do homem. Para filhos que por alguma razão, literalmente não têm pais há esperança, pois no Reino de Deus o órfão anda em família: “Pai de órfãos e juiz de viúvas é Deus, no seu lugar santo. Deus faz que o solitário viva em família...” (Salmos 68.5-6). E nas famílias que a relação pais-filhos/filhos-pais não se tornaram efetivas no Reino de Deus o coração dos filhos são convertidos aos pais e o coração dos pais aos filhos: “E ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha, e fira a terra com maldição
(Malaquias 4.6). Sobretudo, Deus mesmo para todos e cada um de nós, pela nossa adoção em Cristo, nos redime na história. Nele nossas afeições são curadas, de forma que sabemos quem somos e para onde vamos o que é determinante para mudarmos nossa percepção da vida na vida e para que tenhamos, assim,  grande esperança.

Por Edson Ciso


sábado, 1 de março de 2014

“Tu porém pregue a Palavra”

Palavra aos ministros
“Tu porém pregue a Palavra”

Um dos grandes problemas dos interpretes bíblicos de nosso tempo é a confusão que muitos fazem daquilo que podemos chamar livre exame das escrituras com livre interpretação das Escrituras. Outro mal é confundir diversidade de aplicação com diversidade de sentido. Ora, são problemas vitais para quem se propõe ao ensino do texto sagrado. O ministério da Palavra é um santo ministério. Mas o que muitos de nós ministros estamos fazendo com a mensagem bíblica é um desserviço ao Evangelho.  
É verdade, todos nós temos total liberdade para examinar exaustivamente as Escrituras, mas é imprescindível que sejamos extremamente criteriosos na interpretação.  Assim como, também, precisamos nos lembrar de que apesar de podermos aplica-lo relativamente de diferentes maneiras, o texto sagrado foi escrito com um único sentido. Em nossos dias temos observado uma oscilação absurda quanto a validade dos princípios bíblicos aplicados a experiência prática cristã. Vemos um tremendo malabarismo exegético sendo feito para acomodar os princípios bíblicos aos distintos estilos de vida e não um malabarismo para adequar os distintos estilos de vida aos princípios bíblicos. O texto sagrado tem sido aviltado a fim de respaldar, muitas vezes, até mesmo um estilo de vida claramente pecaminoso.

Por estes e outros motivos, toleramos no Brasil e em nossas igrejas, por exemplo, ensinos dúbios, até mesmo claramente contrários a Palavra.  Muitos púlpitos estão eivados por um ensino pernicioso e com viés claramente ante bíblico. Caro ministro mude sua vida, mas não mude a Palavra. Examine o texto, mas não lide com ele do jeito que lhe parecer conveniente. Não dê ao texto um sentido que ele não tem. Não use o Texto para justificar seus maneirismos. Não o use como ferramenta de manipulação. Tão somente “pregue a Palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda paciência e doutrina” (2 Tm 4.2). Que Deus nos abençoe.

Por Edson Ciso