terça-feira, 7 de setembro de 2010

Palavra aos ministros
A “criança-problema” e o problema da criança


Em meio as muitas crianças que ministrarmos certamente nos depararemos com uma variedade de comportamentos diferenciados. Creio que a pluralidade seja algo bom e necessário. Mas, fatalmente, neste contexto, depararemos com uma “criança-problema”.
Não estaremos sendo demasiadamente duros se em meio as crianças que estivermos ministrando identificarmos algumas com “problemas”. Ma o que fazer?
Penso que uma das coisas importantes a serem feitas é mudarmos o nosso foco de visão em alguns aspectos, se o problema for comportamental. Os discípulos de Jesus se depararam com um grupo de crianças, que tal vez, para eles, fossem “crianças-problema” ou causadoras de problemas. Jesus, por sua vez, não focou as crianças como sendo um problema, mas sim a situação gerada pelos discípulos, como tal. (ver. Mt. 19. 13-15 )
Uma das lições que podemos tirar do fato narrado pelo evangelho segundo Mateus é que geralmente o problema. Em alguns casos, não está na criança em si. A questão é que como constatou Lahire em seus estudos, a personalidade da criança, seus comportamentos, ações e reações são incompreensíveis fora das relações sociais que a configuram. Isso não quer dizer que ela reproduza, necessariamente, de maneira direta as vivências de sua família, mas que é a conjuntura familiar que vai dar o pano de fundo a seus comportamentos e relações sociais.
“De fato a criança constitui seus esquemas comportamentais, cognitivos e de avaliação através das formas que assumem as relações de interdependência com as pessoas que a cercam com mais freqüência e por mais tempo, ou seja, os membros de sua família” (Lahire, 1997; p. 17).
O problema da criança é que, com freqüência, tendemos a tratá-la insularmente quando, na verdade, ela é “produto” das relações sociais que a cercam. É bem possível que ministremos crianças das mais diversas, apesar disso, não será possível compreendê-las sem apreender minimamente suas relações sociais primárias. “Na verdade, o mais íntimo, o mais particular ou singular dos traços de uma pessoa só pode ser entendido se reconstituirmos o ‘tecido de imbricações sociais com os outros’”. (idem)
É neste contexto de relações intersubjetivas que poderemos compreender a criança em sua complexidade e, como discípulos, deixar de sermos o “problema” da criança. Assim, poderemos ajudá-las a encontrar outras possibilidades de vivências para além daquele aprendidos em sua socialização primária. Como ministros podemos apresentar novas alternativas às crianças, principalmente no que toca conduzi-las a Jesus. Pois o maior problema da criança é ter o acesso a Jesus impedido.


Por Edson Ciso

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