Palavra aos ministros
Esperança do evangelho para uma geração sem pais
Quando nos reportamos à história
e olhamos atenciosamente para as diferentes gerações, percebemos que a cada
geração a sociedade vem degringolando em diferentes aspectos da vida e da
piedade. Nossa geração tem levado isso às últimas consequências, e, muito do
que se vê, é fruto de uma geração sem pais.
Pode-se afirmar que somos uma
geração sem pais porque embora naturalmente todos para nascer precisássemos de
pais, na prática, muitos ao longo da vida vivem como se pais não tivessem. Alguns
são literalmente abandonados ou de alguma maneira separados de seus progenitores, para outros, porém, apesar de viverem com seus
pais, a paternidade não se realizou satisfatoriamente; muitos filhos poderiam ser considerados
afetivamente órfãos. As razões que estão na base deste fenômeno são variadíssimas
e requereria uma pesquisa sociológica.
Uma geração sem pais é uma
geração sem passado. Os pais são os primeiros responsáveis por deixar antes de
tudo uma herança histórica para as crianças. São os primeiros a sinalizar para
as mesmas que elas não são o centro do universo e que o mundo não foi feito a
partir delas e nem para elas. Assim, quando essa relação pai-filho é perturbada
uma das consequências é a perda do legado histórico-social, embora em si isso
já seja um legado, que os pais são os primeiros a inculcar em seus filhos, bem
como uma perda referencial para sua participação no mundo.
Não obstante, uma geração sem
passado é também uma geração sem futuro. Evidentemente que o indivíduo que não
sabe de onde vem, também não sabe para onde vai. Quem vem de lugar nenhum se
contenta com qualquer lugar onde se possa chegar, para estes qualquer lugar é
lugar. Grosso modo, nós somos produtos de nossas raízes históricas. Elas não
necessariamente determinarão nosso futuro, mas influenciarão significativamente
a nossa trajetória e a nossa percepção da vida na vida.
A questão da paternidade está no âmago de
muito dos conflitos que nossa geração vivencia porque, diferente de outras
gerações, a influência dos pais na vida dos seus filhos tem sido cada vez
menor em nosso tempo. O mandamento bíblico de honrar pai e mãe tem perdido cada vez mais seu
sentido prático. Destarte, é extremamente dificultoso fazer os mais jovens entender
o que isso significa e traduzir esta lógica para eles. Ver-se uma geração que
vem cada vez menos aprendendo com a experiência do outro, com pouco interesse
histórico, que não aprendeu a ouvir, que erra para acertar ao invés de acertar
para não errar. Sobretudo, ver-se uma geração que desaprendeu a conviver e muito tudo disso tem sua gênese no relacionamento familiar.
A beleza do evangelho é que ele
tem uma resposta para cada anseio e necessidade do homem. Para filhos que por
alguma razão, literalmente não têm pais há esperança, pois no Reino de Deus o
órfão anda em família: “Pai de órfãos e juiz de viúvas é Deus, no seu lugar
santo. Deus faz que o solitário viva em família...” (Salmos 68.5-6). E nas
famílias que a relação pais-filhos/filhos-pais não se tornaram efetivas no
Reino de Deus o coração dos filhos são convertidos aos pais e o coração dos
pais aos filhos: “E
ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus
pais; para que eu não venha, e fira a terra com maldição
(Malaquias 4.6). Sobretudo, Deus mesmo para todos e cada um de nós, pela nossa adoção em Cristo, nos redime na história. Nele nossas afeições são curadas, de forma que sabemos quem somos e para onde vamos o que é determinante para mudarmos nossa percepção da vida na vida e para que tenhamos, assim, grande esperança.
(Malaquias 4.6). Sobretudo, Deus mesmo para todos e cada um de nós, pela nossa adoção em Cristo, nos redime na história. Nele nossas afeições são curadas, de forma que sabemos quem somos e para onde vamos o que é determinante para mudarmos nossa percepção da vida na vida e para que tenhamos, assim, grande esperança.
Por Edson Ciso
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