sábado, 15 de março de 2014

Esperança do evangelho para uma geração sem pais

 Palavra aos ministros
Esperança do evangelho para uma geração sem pais

Quando nos reportamos à história e olhamos atenciosamente para as diferentes gerações, percebemos que a cada geração a sociedade vem degringolando em diferentes aspectos da vida e da piedade. Nossa geração tem levado isso às últimas consequências, e, muito do que se vê, é fruto de uma geração sem pais.
Pode-se afirmar que somos uma geração sem pais porque embora naturalmente todos para nascer precisássemos de pais, na prática, muitos ao longo da vida vivem como se pais não tivessem. Alguns são literalmente abandonados ou de alguma maneira separados de seus progenitores, para outros, porém, apesar de viverem com seus pais, a paternidade não se realizou satisfatoriamente; muitos filhos poderiam ser considerados afetivamente órfãos. As razões que estão na base deste fenômeno são variadíssimas e requereria uma pesquisa sociológica.
Uma geração sem pais é uma geração sem passado. Os pais são os primeiros responsáveis por deixar antes de tudo uma herança histórica para as crianças. São os primeiros a sinalizar para as mesmas que elas não são o centro do universo e que o mundo não foi feito a partir delas e nem para elas. Assim, quando essa relação pai-filho é perturbada uma das consequências é a perda do legado histórico-social, embora em si isso já seja um legado, que os pais são os primeiros a inculcar em seus filhos, bem como uma perda referencial para sua participação no mundo.
Não obstante, uma geração sem passado é também uma geração sem futuro. Evidentemente que o indivíduo que não sabe de onde vem, também não sabe para onde vai. Quem vem de lugar nenhum se contenta com qualquer lugar onde se possa chegar, para estes qualquer lugar é lugar. Grosso modo, nós somos produtos de nossas raízes históricas. Elas não necessariamente determinarão nosso futuro, mas influenciarão significativamente a nossa trajetória e a nossa percepção da vida na vida.
A questão da paternidade está no âmago de muito dos conflitos que nossa geração vivencia porque, diferente de outras gerações, a influência dos pais na vida dos seus filhos tem sido cada vez menor em nosso tempo. O mandamento bíblico de honrar pai e mãe tem perdido cada vez mais seu sentido prático. Destarte, é extremamente dificultoso fazer os mais jovens entender o que isso significa e traduzir esta lógica para eles. Ver-se uma geração que vem cada vez menos aprendendo com a experiência do outro, com pouco interesse histórico, que não aprendeu a ouvir, que erra para acertar ao invés de acertar para não errar. Sobretudo, ver-se uma geração que desaprendeu a conviver e muito tudo disso tem sua gênese no relacionamento familiar.
A beleza do evangelho é que ele tem uma resposta para cada anseio e necessidade do homem. Para filhos que por alguma razão, literalmente não têm pais há esperança, pois no Reino de Deus o órfão anda em família: “Pai de órfãos e juiz de viúvas é Deus, no seu lugar santo. Deus faz que o solitário viva em família...” (Salmos 68.5-6). E nas famílias que a relação pais-filhos/filhos-pais não se tornaram efetivas no Reino de Deus o coração dos filhos são convertidos aos pais e o coração dos pais aos filhos: “E ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais; para que eu não venha, e fira a terra com maldição
(Malaquias 4.6). Sobretudo, Deus mesmo para todos e cada um de nós, pela nossa adoção em Cristo, nos redime na história. Nele nossas afeições são curadas, de forma que sabemos quem somos e para onde vamos o que é determinante para mudarmos nossa percepção da vida na vida e para que tenhamos, assim,  grande esperança.

Por Edson Ciso


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