Palavra aos ministros
Crianças, futuro presente.
Quando nos debruçamos sobre a questão do espaço das crianças em nossas igrejas, a pergunta que nos cabe é por que investir nossos esforços, nosso tempo, nossos recursos no ministério e na ministração infantil. A princípio, somos tentados a responder tal questionamento com a afirmação que as crianças são o futuro de nossas igrejas. Elas serão os futuros ministros de música, os futuros administradores, missionários, pastores, mestres etc.. Apesar de ser uma resposta simplória, sob certos aspectos, não foge a realidade.
Dada a natureza da resposta, como elas pertencem ao futuro, pouco se investe nelas no presente. Isso fica claro com a quantidade de recursos que despendemos com o ministério com crianças, quer seja material quer seja humano, em relação aos outros departamentos da igreja.
Não obstante, nos últimos anos temos visto sinais claros de uma efetiva mudança neste contexto. Cada vez mais ministérios integralmente voltados para crianças têm surgido em nosso país, as igrejas têm cada vez mais convidado ministros para treinamentos e capacitação de lideres de crianças, vasto material tem sido produzido para este público, igrejas totalmente
voltadas para elas têm surgido, etc. Mas o que tudo isso significa? Sobretudo, qual a força motriz deste fenômeno e quais os desdobramentos que ele suscita?
A princípio, temos duas respostas para tentar compreender o que está ocorrendo. A primeira é que essa pode ser simplesmente uma lógica de mercado. Isto é, de alguma maneira os homens de negócio e as pessoas de religião podem ter descoberto um caminho rentável. Hipótese que não deve ser descartada. Ou, por outro lado, uma segunda resposta, Deus em sua soberania pode estar abrindo nosso entendimento para seus propósitos eternos em relação ao seu povo. O que creio que de fato está acontecendo.
O fato é que, desde os tempos antigos, Deus nunca abriu mão das crianças. O capítulo 10 do Livro de Êxodo aponta nesta direção. Quando Moisés diz a faraó que o povo deve ir prestar culto ao seu Deus, deixa bem claro que todos deveriam ir, jovens, idosos e crianças. O povo nunca seria verdadeiramente livre, se as crianças e as mulheres permanecessem no Egito; se as crianças e mulheres permanecessem cativas, os homens automaticamente estariam cativos. Logo, desde sempre a exigência de Deus foi que todos saíssem do Egito para ir-lhe prestar culto.
Para nós a narração da história da libertação do povo de Israel é bastante significativa e elucidadora do porque não podemos relegar as crianças um lugar futuro em nossas igrejas. Assim como Moisés, nós também precisamos tirar todos do “Egito”, isto é: jovens, velhos, mulheres e crianças. Sobretudo, porque o chamado a adoração e culto ao Senhor é, também, um chamado a libertação. Neste sentido, inda que tenhamos os aproveitadores, os mercadores e os falsos irmãos, vejo todo esse movimento de resgate da adoração infantil genuína, como um movimento do próprio Deus. Para sua glória e para o nosso bem.
Edson Ciso
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